28 de Setembro Dia Latinoamericano pela Legalização do Aborto

Neste 28 de setembro, mais uma vez estaremos nas ruas, para afirmar nossa luta em defesa dos direitos das mulheres decidirem sobre seu corpo e suas vidas.
Todos os dias, dezenas de mulheres são perseguidas, humilhadas e maltratadas por recorrerem ao aborto. Por termos uma legislação do século passado – de 1940 – que criminaliza a mulher e quem a ajudar – a mulher é presa e condenada.
O aborto não é crime em muitos países, como nos Estados Unidos, Canadá, Tunísia, Cuba, e países da Europa como Portugal, França, Inglaterra e Espanha. Mas os rigores da nossa legislação não impede que os abortos sejam realizados clandestinamente.

Por isto estamos convocando a todas as militantes da Marcha Mundial das Mulheres a estarem nas ruas neste dia. Podendo levar batucada, nossas bandeiras, vestidas com nossas camisetas e nossa energia. Estamos em luta pelo fim da criminalização das mulheres e pela defesa da legalização do aborto no Brasil e na América Latina.

Em Esteio estaremos com nas ruas com nosos lambes e faixas.

Em Porto Alegre, as militantes estarão mobilizadas no dia 30 de setembro, das 10 às 13h no Brique da Redenção para marcar o Dia Internacional pela Descriminalização do Aborto.

Nenhuma mulher deve ser perseguida, humilhada, condenada ou presa pela prática do aborto.

Militantes de Esteio na Marcha Contra Midia Machista

No mês de Agosto, aconteceu em POA, a marcha contra midia machista. Diversos grupos de mulheres participaram manifestando repudio a publicidade machista, que explora a imagem da mulher para vender produtos.
A Macha Mundial das Mulheres estava presente com a irreverencia da batucada, finalizamos com ato no zaffari.

Formação do núcleo da MMM

No mês de Maio, o Coletivo Feminista Vânia Araujo núcleo da MMM-Esteio, realizou na Escola Eva karnal um bate papo com jovens alunas do 8º ano.
As militantes Eleniezer e Janaina apresentaram a Macha, debateram a plataforma de luta e feminismo.

Seis Anos da Lei Maria da Penha

Basta de Violência doméstica e sexual

Assim como todos aspectos da opressão das mulheres, a violência sexista foi construída socialmente com base material na divisão sexual do trabalho, sustentada na construção de uma cultura patriarcal.

A violência doméstica e sexual, ou violência sexista, é a expressão mais dura da opressão das mulheres. Sabemos que é fruto das relações desiguais e de poder entre homens e mulheres, que expressam de forma mais contundente as contradições dessa relação de poder. Em geral, a violência é exercida por pessoas que estão muito próximas das mulheres: os maridos, amantes, namorados, pais, parentes, amigos e colegas de trabalho. É também um terreno onde nos sentimos permanentemente constrangidas e nos impõe um sentimento de perigo e, portanto, a necessidade de estar sempre em vigília.

A violência foi sempre tão naturalizada que às vezes não nos damos conta, em determinados momentos, que estamos sendo vítimas de violência sexista. Por isso, é importante conceituar a partir do feminismo o que é violência, ou seja, toda vez que as mulheres são consideradas coisas, objetos de posse e poder dos homens e, portanto, inferiores e descartáveis. Assim, quando na rua um homem que sequer nos olhou, mas só pelo fato de ser uma mulher nos dirige gracejos e cantadas é a mesma motivação que faz com que eles cometam estupros contra as mulheres. Como se elas estivessem à disposição para que os homens utilizem seus corpos como um objeto.

Como todos outros aspectos da opressão das mulheres, a violência sexista é um fato histórico, foi construída socialmente e tem sua base material na divisão sexual do trabalho, sustentada na construção de uma cultura patriarcal e misógina, que desqualifica as mulheres. A cultura ocidental na qual estamos inseridas está estruturada a partir de representações duais, através de símbolos como Eva e Maria.

As mulheres têm sido consideradas profanas ou virtuosas conforme nos movemos no terreno que a cultura nos destina. Somos qualificadas como puras ou impuras se cumprimos ou não o papel feminino da maternidade, considerado nosso principal papel. Com essas representações definem que devemos ser intuitivas, sensíveis, cuidadoras, delicadas, amáveis, carinhosas e boas donas de casa. As manifestações de violência em geral são justificadas com o argumento de que não estamos cumprindo bem nosso papel. Quando os homens batem nas mulheres, justificam-se com o argumento de que elas não fizeram bem o trabalho doméstico, que não se comportaram bem ou coisas do estilo. Igualmente quando freqüentamos os espaços públicos se presume que estamos disponíveis sexualmente e com isso se justifica o assédio ou várias expressões utilizadas com esse fim.

Feminismo: público x privado

O feminismo foi o movimento social que tomou a iniciativa de denunciar essa violência e de lutar contra ela. Trouxe para o espaço público o que se vivia no espaço privado como parte do destino. Com isso desnaturalizou esses fatos e contribuiu para a construção do conceito de perigo que as mulheres vivem enquanto permanecer a violência.

A globalização neoliberal, na verdade, é uma nova expansão imperialista e é resultado da correlação de forças desfavorável para os setores explorados e oprimidos que lutam por sua liberação e conseqüentemente um aumento do poder dos dominadores. As relações produzidas nesse contexto reforçam a desigualdade das mulheres, o que faz com que ocorra uma hegemonia conservadora que fortalece a opressão de gênero, classe, raça e reforça e incrementa ainda mais as formas de dominação e de violência contra as mulheres, assim como aumenta a homofobia.

Também é visível como este sistema neoliberal patriarcal contra-ataca nossas lutas e nossas conquistas, em parte por uma aparente assimilação de aspectos do discurso feminista por parte dos poderes, utilizados para uma maior exploração e opressão sob aparência sutil. Por exemplo, o sistema utiliza nossa linguagem de luta pelo direito das mulheres ao trabalho assalariado para dizer que as mulheres são livres para vender sua força de trabalho, e a utiliza indiscriminadamente. Ou seja, que as mulheres devem estar disponíveis o tempo todo e, portanto, não há limite da jornada de trabalho em nome da flexibilidade. Além do mais, as condições de trabalho atuais revelam formas de violência e maior controle sobre as mulheres. Por exemplo o controle sobre o tempo para as funcionárias irem ao banheiro e até existem maquilas (montadoras) que obrigam as mulheres a usar fraldas para que não tenham permissão para ir ao banheiro.

Esta suposta assimilação do capitalismo, que parecia estar incorporando parte do discurso dos direitos das mulheres, impactou muitos dos movimentos, pois aparentemente havíamos conseguido conquistas. No Brasil, no início dos anos 90, quando expressávamos alguma visão crítica às propagandas sexistas, era comum ouvir que isso estava mudando e que havia também propaganda com homens nus. Quinze anos depois, podemos ver o que significou o incremento da utilização do corpo das mulheres como mercadoria.

Impunidade das praticas do femicídio moderno

Em outras palavras, a violência contra as muheres está estreitamente conectada com a consolidação do modelo, tanto pela expansão da mercantilização como pela própia utilização das mulheres como mercadorias para exploração e para consumo. Isto está vinculado também à imposição do modelo atual de feminilidade e de um padrão de beleza difundindo que somente aquelas que cumprem com esse padrão poderão, inclusive, obter um melhor trabalho.

O assédio sexual é um componente das relações de trabalho para manter as mulheres com medo e divididas entre elas. Antes, há 25 anos, era muito discutido o assédio nas fábricas, nos bancos, com as secretárias. Hoje sabemos que mulheres que ocupam postos considerados altos também sofrem o assédio.
Assim mesmo, segundo as características associadas à feminilidade, as mulheres têm de demonstrar sensibilidade no trabalho, comunicabilidade, estar sempre sorrindo. Porém vemos que esse incremento da feminilidade cada vez mais coloca as mulheres como seres não-pensantes, como se observa nas propagandas em que o tempo todo estão nuas ou rebolando. Essa expansão da mercantilização se expressa de forma diversa segundo a situação de raça, classe, etnia ou religião.

Outro aspecto do aumento da violência neste modelo é a prática do tráfico sexual das mulheres e o incremento da prostituição. O tráfico de mulheres é a terceira das mais rentosas máfias. Os números mostram que 75% (3/4) das mulheres que são traficadas não sabem que estão indo para os países do Norte para se prostituirem ou trabalhar na indústria do entretenimento. Quanto ao aumento da prostiutição, vimos dentro de nossos países como a indústria do turismo sexual utiliza as mulheres para obter lucro e cresce o número de meninas na prostituição.

A impunidade sobre as práticas de femicídio moderno fala por si só: a pouca importância que os poderes dão aos assuntos de violência contra as mulheres. Na cidade Juárez (Chihuahua, México), uma região de maquiladoras, desde de 1994 começaram a aparecer mulheres mortas e com forte conotação de violência sexual. As jovens que morrem são em sua maioria trabalhadoras das maquilas, entre 14 e 19 anos, que ficam seqüestradas por três ou cinco dias para depois serem assassinadas. Existem várias organizações que lutam para elucidar esses crimes, porém até agora não há nenhum julgamento e menos ainda condenação. A polícia e os organismos judiciais do México não fazem a investigação e o Estado é cúmplice desse processo, pois jamais conseguiram comprovar um crime.

Outra face da violência sexual é uma questão muito antiga: o estupro das mulheres em situações de guerra ou de incremento da militarização. Como a militarização e a guerra são parte deste modelo, as mulheres seguem sendo vítimas de violência nessas situações.
Nunca é demais relembrar que em uma situação de aumento do individualismo, de fragmentação do tecido social e dos laços de solidariedade ocorre o aumento da violência doméstica, uma vez que na situação de vulnerabilidade em que os homens também se encontram as mulheres, muitas vezes, são seu último e único reduto de poder.

Retrocessos do neoliberalismo

Em nosso Continente, nesta era de neoliberalismo, prevaleceu a visão de resolver estes problemas por meio do desenvolvimento de políticas públicas. No entanto, sob o modelo neoliberal o que prevalece é o Estado mínimo e as pessoas foram reduzidas à condição de clientes, beneficiárias, ou até portadoras de uma patologia social. Então as políticas foram focais e retrocedeu a visão de emancipação ou de garantia de direitos.
Durante os anos 90 (auge do neoliberalismo) diminuiu consideravelmente a capacidade do movimento de mulheres para responder com radicalidade a esses retrocessos. Reduziu-se o debate e a luta por mudanças ideológicas e foi rabaixando o conteúdo crítico das propostas. E assim cada vez mais a violência doméstica e sexual foi chamada como violência. Em vários documentos as propostas de atenção às mulheres vítimas de violência transitaram de uma visão de garantir a autonomia e a autodeterminação das mulheres para a necessidade de atender a violência em função dos custos econômicos que acarreta, ou no melhor dos casos em nome de uma visão geral. Ou seja, o argumento de que quando as mulheres apanham faltam ao trabalho e aumentam os gastos em saúde pública.

Hoje vivemos um momento em que outros aspectos podem ser enunciados em relação aos movimentos sociais em geral e ao movimento de mulheres em particular. Temos não apenas o questionamento ao neoliberalismo como modelo, mas a construção de articulações continentais e mundiais na luta contra o livre comércio e as políticas neoliberais. Também no movimento de mulheres há processos de recomposição de campos e articulações com posições mais críticas e até a ampliação da base social do movimento de mulheres, inclusive com a entrada de jovens em várias partes.

Nossa tarefa urgente é vincular e interrelacionar a luta contra a violência doméstica e sexual com a luta global contra o modelo capitalista neoliberal, que também é machista, racista e homofóbico. Isto inclui mudanças estruturais, tanto em termos de políticas públicas como a análise do que está passando no cotidiano que reforça outra vez um modelo de feminilidade como uma essência (que em última instância reforça a passividade) e coloca a violência como um problema de saúde, retirando o conteúdo de relações de poder dos homens sobre as mulheres.
É necessário enfrentar as construções da diferença e fazer o debate sobre o que queremos ser como mulheres, que identidades queremos ter. Porque, até agora, nossa identidade está misturada com aspectos que não queremos manter, que também desejamos mudar. A identidade que temos é em parte imposta, na qual não conseguimos decidir como queremos ser.
Na Marcha Mundial das Mulheres começamos uma campanha contra a violência sexista e contra a pobreza. Uma das metas desta luta é propiciar um debate sobre a violência de uma forma mais ampla. Queremos fazer um debate e uma ação política ampla que se antecipe a ocorrência da violência, sendo verdadeiramente preventiva. Para isso, cremos que o movimento de mulheres deve construir uma forte e extensa auto-organização das mulheres lutando por autonomia e autodeterminação. E que essa organização deve, em conjunto com outros movimentos sociais, construir uma forte mobilização por transformações gerais na sociedade e que inclua o componente feminista nesse projeto.

De fato, participamos cada vez mais em espaços de convergência e articulação. Em nosso continente, estamos envolvidas como mulheres em várias ações como a Campanha Contra a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), a Campanha Contra a Militarização e também no processo Fórum Social Mundial. Mas levamos para esses espaços o debate concreto da situação das mulheres que inclui o tema da violência. Não vamos conseguir a erradicação da violência sem mudanças estruturais, sem mudanças na cultura e se não conseguirmos que o conjunto dos movimentos sociais incorporem esta luta, até que a sociedade considere inaceitável a violência contra as mulheres.

Nalu Faria é psicóloga, coordenadora geral da Sempreviva Organização Feminista (SOF) e integrante da Secretaria Nacional da Marcha Mundial das Mulheres no Brasil.

FORMAÇÃO ESTADUAL DA MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES

Marcha Mundial das Mulheres – RS Seminário Estadual de Formação Feminista
Dias 14 e 15 de julho de 2012
Local: Adesbam – Rua Dr. Mário Totta, 108 – Tristeza – Porto Alegre – veja mapa aqui
Programação:
dia 14 – Formação Feminista, com Nalu Faria da Coordenação Nacional da Marcha Mundial das Mulheres
8:30 Recepção das militantes e Início das atividades com dinâmica de acolhimento
9:30h Mercantilização da Vida e do Corpo das Mulheres .  instrumentos de controle das mulheres – o patriarcado e o capitalismo;  denúncia da MMM à mercantilização do corpo e da vida das mulheres; aborto e autonomia do corpo; liberdade e desafios do feminismo hoje.
Debate e trabalhos em grupos
12:30h almoço
13:30h início da parte da tarde – Continuação do debate da manhã
16h  As políticas públicas e estratégias para o período atual
Debates

18:30h encerramento
19h jantar
20h Confraternização
dia 15, Encaminhamentos e Organização da MMM-RS (Plenária da MMM)
início dos trabalhos as 9h e término previsto para as 16 horas. 17h retorno para os municípios

INFORMAÇÕES IMPORTANTES:
Hospedagem: haverá hospedagem na própria Adesbam, para todas que solicitarem, até o limite de 30 vagas. Exceto para as que moram em Porto Alegre. translado rodoviária até o local da formação – teremos uma Van (até o limite de 15 lugares) saindo as 8h da rodoviária – Mas é preciso avisar a hora da chegada, nome da pessoa e município.
Deslocamento: poderemos custear a passagem de UMA companheira de cada município, e para isto precisamos o mais urgente  possível do nome da companheira e o número da conta bancária (banco e  agência) e o valor da passagem de ônibus. Ao entregar o recibo da vinda  receberá o valor da volta.
Alimentação: custearemos a alimentação de todas as participantes. Vagas: não haverá limite de participação, no entanto não temos como custear mais de uma representante por município.
Inscrição: Envie o mais urgente possível o NOME da companheira que virá para o Seminário de Formação Feminista, pois precisamos  prever as reservas de alojamento e alimentação. Caso necessite pagamento da passagem de ônibus, nos envie os dados bancários para mulheresmudamomundo@gmail.com.

Dia a Dia da Cúpula dos Povos na Rio +20

 

A delegação gaucha da Marcha Mundial das Mulheres partiram rumo ao Rio de Janeiro para a Cúpula dos Povos na Rio +20 no dia 15/06 pela manhã.

Após 24hs de viagem, com breves parada para refeições e muito debates, chegamos ……

Sambodromo do Rio de Janeiro, foi lá que as militantes da Marcha ficaram  alojadas com diversos movimentos, Via Campesina, MST, Quilombolas, Indigenas…

Nos dias 16 e 17 acompanhamos os debates simultaneos que aconteceram  no aterro do flamengo.

FEMINISMO, AGROECOLOGIA E SOBERANIA ALIMENTAR

Compreender que o trabalho que as mulheres realizam é algo central na vida em sociedade e não apenas “ajuda”, “apoio” ou algo “complementar” é fundamental na construção de uma alternativa ao modelo de desenvolvimento capitalista, patriarcal y racista, expresso hoje na chamada economia verde. Esse foi um dos pontos de destaque durante a atividade “Feminismo, agroecologia e soberania alimentar: construindo um novo paradigma de sustentabilidade para a vida humana”, realizada no dia 16, em conjunto pela Marcha Mundial das Mulheres (MMM), Via Campesina (VC), GT de Mulheres da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), mulheres da Coordenação Andina de Organizações Indígenas (CAOI), Contag, Rede de Economia Feminista (REF), Movimento de Trabalhadoras Rurais do Nordeste (MMTR-NE) e Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar (FBSSAN).

Sob o slogan “Mulheres contra a mercantilização de nossos corpos, nossas vidas e a natureza!”, mais de 10 mil pessoas marcharam na manhã de segunda-feira, 18 de junho entre o Aterro do Flamengo e o Largo da Carioca. A mobilização foi organizada pela Marcha Mundial das Mulheres (MMM), mulheres de movimentos mistos como a Via Camponesa, a Contag, a CAOI, a ANA, a CUT e outras organizações e movimentos feministas e inaugurou a jornada de mobilizações da Cúpula.

O dia começou muito cedo, às 7 horas, quando mais de 2.000 mulheres dos movimentos sociais que estão alojados no Sambódromo do Rio de Janeiro saíram em marcha até o MAM – Museu de Arte Moderno, no Aterro do Flamengo. No caminho, estimuladas pela Batucada Feminista da Marcha Mundial das Mulheres, elas denunciaram a economia verde, às corporações multinacionais e às instituições multilaterais como o Banco Mundial e o FMI, responsáveis pela crise mundial que vivenciamos hoje e pelo incremento da violência e a pobreza entre as mulheres.

No MAM, militantes de outros movimentos feministas de América Latina e do mundo que estavam na inauguração da tenda “Território Global das Mulheres” se somaram às demais e partiram em direção ao Largo da Carioca onde aconteceu um ato público final da manifestação de denúncia do modelo capitalista, patriarcal, homofóbico, racista e destruidor da natureza.
“Temos que superar esse modelo, mas para isso temos que superar a divisão sexual do trabalho, que não reconhece nosso trabalho como trabalho, que diz que temos que fazê-lo por amor ou pela culpa que carregamos. Estamos exigindo o reconhecimento do trabalho das mulheres, que a divisão sexual do trabalho deixe de existir também no trabalho produtivo”, enfatizou Nalu Faria, da MMM.

A questão não é somente de sustentabilidade ambiental e sim da construção de outro modelo de produção e consumo que garanta condições de igualdade. “Para conseguir isso temos que estar livres de todas as formas de opressão, pensar não só em harmonia com a natureza, mas também na harmonia entre humanos e humanas. Isso significa erradicar a violência, que os homens deixem de estar a serviço do capitalismo, deixem de nos violentar e assediar. Significa ter o livre exercício de nossa sexualidade, o direito ao aborto. Por isso vamos seguir em luta enquanto não tivermos construído todas as transformações necessárias, fortalecer nossa luta contra o capitalismo verde e exigir que nossas demandas sejam reconhecidas inclusive por nossos companheiros de luta!”, afirmou Nalu.

” O abre alas que as mulheres vão passar, nosso lugar não é no forno ou no fogão, a nossa chama é o fogo da revolução”!!!!

Paralelo, a Marcha Mundial das Mulheres realizou uma ação de resistência, denominada Rosa Luxemburgo, em frente ao Banco Nacional do Desenvolvimento, o BNDES, na sede do Rio de Janeiro.

A ação consistiu em uma batucada feminista e colagem de lambe lambe que dialogavam com a justiça social e ambiental e com a exploração e mercantilização da vida e do corpo das mulheres. Contou com a participação de 40 militantes da MMM, o ato conseguiu “mostrar que nós mulheres não aceitamos esse modelo econômico que transforma em mercadoria nossos corpos, nossas vidas e também a natureza. Estamos organizadas e em constante luta”.

Ainda durante a ação, indígenas de diversas etnias do Brasil, ocuparam o espaço do BNDES. Eles exigiram se reunir com algum representante do banco. Em solidariedade e reafirmando que são nas lutas coletivas que existe a possibilidade de conquistas, as militantes da MMM mantiveram-se no BNDES batucando e chamando palavras de ordem como “Ó Belo Monte tem que parar a sociedade não vai mais aguentar”.


Dia 19/06

 

No final da tarde do dia 19 os movimentos socais participantes da Cúpula dos Povos realizaram um ato contra a transnacional Vale, em frente à sede da empresa, entre as ruas Santa Luzia e Graça Aranha, no Rio de Janeiro.
Participaram do ato por volta de 3 mil pessoas dos movimentos sociais da Via Campesina, Marcha Mundial das Mulheres, entre outros. A ação foi coordenada pela Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale. A Vale foi escolhida como alvo simbólico para representar as grandes corporações internacionais, cujas práticas desrespeitam os trabalhadores, degradam o meio ambiente e roubam dos povos o controle sobre seus territórios.
“A Vale usa a mesma estratégia em todos os países do mundo. Em Moçambique, são 1365 famílias sofrendo repressão desde 2004; a Vale viola os direitos dos trabalhadores, não dando condições de segurança e higiene e já controla todo o território centro-norte de Moçambique, através da

construção de uma linha férrea”, denunciou Jeremias Vunjanhe, militante da ONG Justiça Ambiental, que havia sido impedido de entrar no Brasil na semana passada.
Além dos problemas sociais, os manifestantes focaram os impactos ambientais da empresa. “Estamos aqui, também, com um relatório de insustentabilidade, fruto de um ano de pesquisa e trabalho de aprofundamento, para desmontar as declarações que a própria empresa faz no relatório de sustentabilidade dela”, afirmou o padre Dário Bossi, da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Bossi citou como exemplos desse impacto a construção da usina siderúrgica TKCSA, cuja poluição foi demonstrada por estudos, e que está sob intervenção do Ministério Público, e a duplicação da ferrovia de Carajás, no norte do país, que ameaça dobrar os impactos já existentes da mineração na Amazônia.
Scott, do sindicato USW (United Steelworkers), do Canadá, denunciou as péssimas condições enfrentadas pelos trabalhadores da Vale em seu país. A empresa provocou a maior greve da história do Canadá, que durou 11 meses entre 2009 e 2010, porque usou a recente crise mundial como justificativa para realizar demissões em massa, diminuir salários e aumentar jornadas, entre outros retrocessos nos direitos dos trabalhadores. “Isso é uma vergonha”, afirmou. Naquele país, só nesse ano já foram contabilizadas 16 mortes de trabalhadores em operações da Vale.
Adelaide, do Movimento Xingu Vivo para Sempre, relatou o processo de privatização da Amazônia impulsionada pela construção da usina de Belo Monte, cujo consórcio construtor conta com a presença da Vale. Larissa, da Marcha Mundial das Mulheres, denunciou como as obras de empresas como a Vale afetam em especial as mulheres, com o aumento da prostituição e da violência. Moisés, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), denunciou o processo de criminalização do povo que luta contra as grandes empresas.

Enquanto chefes de estado se reúnem no Riocentro, manifestações pela cidade marcaram o dia de abertura das negociações da Rio+20, organizadas pela sociedade civil.

Pela manhã, cerca de duas mil pessoas se reuniram na Vila Autódromo, favela a cerca de 800 metros do centro de convenções que sedia a Conferência da ONU para o Desenvolvimento Sustentável.


O apoio aos moradores da Vila Autódromo reuniu defensores da comunidade, ameaçada de remoção pelas obras da Olimpíada de 2016, e manifestantes de movimentos indígenas, sem terra, quilombolas e pastoral de favelas, entre outros. A batucada da Marcha Mundial das Mulheres foi irreverente na caminhada pelas ruas da comunidade autodromo.

O maior ato aconteceu   a tarde desta quarta-feira, quando a Marcha dos Povos ocorre no Centro do Rio.  A manifest

ação é convocada pela Cúpula dos Povos, evento da sociedade civil que faz um contraponto às negociações oficiais no Riocentro. Estavam presente militantes da MMM internacional.

No dia 21 assembléia geral para apresentação da sintese final das plenarias tematicas, finalização do documento final da cúpula dos povos.

 

 

 

 

 

 

 

Esteio na Cúpula dos Povos: Contra o capitalismo Verde!

Coletivo Vânia Araújo núcleo da Marcha Mundial das Mulheres- Esteio na Cúpula dos Povos: Contra o capitalismo Verde!

Está Iniciando a Cúpula dos Povos, no Rio de Janeiro. Este espaço está sendo construindo como parte da luta contra a mercantilização da vida e da natureza e em defesa dos bens comuns. Para enfrentar os desafios dessa crise sistêmica, a Cúpula dos Povos não será apenas um grande evento. Trata-se de um processo de acúmulos históricos e convergências das lutas locais, regionais e globais, que tem como marco político a luta anticapitalista, classista, antirracista, antipatriarcal e anti-homofóbica. As militantes feministas da Marcha Mundial das Mulheres Janaina Santos (coordenadora Estadual da Marcha, Presidente do Conselho da Mulher e coordenadora municipal do Coletivo Vânia) e Sandra Correa,  embarcam rumo ao Rio de Janeiro nesta sexta-feira, lá estarão representando o movimento de mulheres de Esteio. As esteienses ficarão acampadas no sambódromo junto as militantes feminista do Brasil e de outros países, estarão na cúpula dos povos, durante sete dias irão participar de várias mobilizações: Mobilizações: Dia 18, segunda-feira, é o dia da mobilização das mulheres na Cúpula dos Povos. Sairemos todas juntas do sambódromo, até a concentração da manifestação, às 10h no MAM. Dia 20 é o dia mundial de mobilização. Na parte da manhã faremos um ato de solidariedade à vila autódromo, afetada pelos megaeventos e próxima ao Rio Centro, onde acontece a Conferencia da ONU, a Rio+20. A partir das 15h, uma grande marcha será realizada nas ruas do Rio de Janeiro. Entre essas manifestações massivas, faremos intervenções feministas na cidade, denunciando a mercantilização do corpo e da vida das mulheres que é parte da ofensiva do capital sobre nossos territórios. Durante as Atividades estaremos publicando mais informações no blog:

www.Grupovaniaaraujo.wordpress.com

facebook: coletivo Vânia Araújo

Mulheres em luta contra o Capitalismo Verde

No dia 05 de Junho, Dia Internacional do Meio Ambiente organizamos ação da cúpula dos Povos na Escola Eva Karnal – Esteio

A poucos  dias da conferência das Nações Unidas Rio+20, os povos do mundo não veem resultados positivos no processo de negociação que está ocorrendo na conferência oficial. Ali não se está discutindo um balanço do cumprimento dos acordos alcançados na Rio 92, ou como mudar as causas da crise. O foco da discussão é um pacote de propostas enganosamente chamado de “economia verde” e a instauração de um novo sistema de governo ambiental internacional que o facilite.

A verdadeira causa estrutural das múltiplas crises é o capitalismo, com suas formas clássicas e renovadas de dominação, que concentra a riqueza e produz desigualdades sociais, desemprego, violência contra o povo e a criminalização de quem os denuncia. O sistema de produção e o consumo atual – representados por grandes corporações, mercados financeiros e os governos que garantem sua manutenção – produzem e aprofundam o aquecimento global e a crise climática, a fome e a desnutrição, a perda de florestas e da diversidade biológica e sócio-cultural, a contaminação química, a escassez de água potável, a desertificação crescente dos solos, a acidificação dos mares, a grilagem de terras e a mercantilização de todos os aspectos da vida nas cidades e no campo .
A “economia verde”, ao contrário do que o seu nome sugere, é outra fase da acumulação capitalista. Nada na “economia verde” questiona ou substitui a economia baseada no extrativismo de combustíveis fósseis, nem os seus padrões de consumo e produção industrial. Essa economia estende a economia exploradora das pessoas e do ambiente para novas áreas, alimentando assim o mito de que é possível o crescimento econômico infinito.
O falido modelo econômico, agora disfarçado de verde, pretende submeter todos os ciclos vitais da natureza às regras do mercado e ao domínio da tecnologia, da privatização e da mercantilização da natureza e suas funções. Assim como dos conhecimentos tradicionais, aumentando os mercados financeiros especulativos através dos mercados de carbono, de serviços ambientais, de compensações por biodiversidade e o mecanismo REDD+ (Redução de emissões por desmatamento evitado e degradação florestal).
Os transgênicos, os agrotóxicos, a tecnologia Terminator, os agrocombustíveis, a nanotecnologia, a biologia sintética, a vida artificial, a geo-engenharia e a energia nuclear, entre outros, são apresentados como “soluções tecnológicas” para os limites naturais do planeta e para as múltiplas crises, sem abordar as causas verdadeiras que as provocam.
Além disso, se promove a expansão do sistema alimentício agroindustrial, um dos maiores fatores causadores das crises climáticas, ambientais, econômicas e sociais, aprofundando a especulação com os alimentos. Com isso se favorece os interesses das corporações do agronegócio em detrimento da produção local, campesina, familiar, dos povos indígenas e das populações tradicionais, afetando a saúde de todos.
Como uma estratégia de negociação na conferência Rio+20, alguns governos de países ricos estão propondo um retrocesso dos princípios da Rio 92, como o princípio de responsabilidades comuns e diferenciadas, o princípio da precaução, o direito à informação e participação. Estão ameaçados direitos já consolidados, como os dos povos indígenas e populações tradicionais, dos camponeses, o direito humano à água, os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, dos imigrantes, o direito à alimentação, à habitação, à cidade, os direitos da juventude e das mulheres, o direito à saúde sexual e reprodutiva, à educação e também os direitos culturais.
Está se tentando instalar os chamados Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que serão utilizados para promover a “economia verde”, enfraquecendo ainda mais os já insuficientes Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).
O processo oficial propõe estabelecer formas de governança ambiental mundial que sirvam como administradores e facilitadores desta “economia verde”, com o protagonismo do Banco Mundial e outras instituições financeiras públicas ou privadas, nacionais e internacionais, que irão incentivar um novo ciclo de endividamento e ajustes estruturais disfarçados de verde. Não pode existir governança global democrática sem terminar com a atual captura corporativa das Nações Unidas.

Repudiamos este processo e conclamamos todos para que venham fortalecer as manifestações e construções de alternativas em todo o mundo.

Lutamos por uma mudança radical no atual modelo de produção e consumo, consolidando o nosso direito para nos desenvolvermos com modelos alternativos com base nas múltiplas realidades e vivências dos povos, genuinamente democráticas, respeitando os direitos humanos e coletivos, em harmonia com a natureza e com a justiça social e ambiental.
Afirmamos a construção coletiva de novos paradigmas baseados na soberania alimentar, na agroecologia e na economia solidária, na defesa da vida e dos bens comuns, na afirmação de todos os direitos ameaçados, o direito à terra e ao território, o direito à cidade, os direitos da natureza e das futuras gerações e a eliminação de toda forma de colonialismo e imperialismo.
Conclamamos todos os povos do mundo a apoiarem a luta do povo brasileiro contra a destruição de um dos mais importantes quadros legais de proteção às florestas (Código Florestal), o que abre caminhos para mais desmatamentos em favor dos interesses do agronegócio e da ampliação da monocultura; e contra a implementação do mega projeto hidráulico de Belo Monte, que afeta a sobrevivência e as formas de vida dos povos da selva e a biodiversidade amazônica.
Reiteramos o convite para participação na Cúpula dos Povos que se realizará de 15 a 23 de junho no Rio de Janeiro. Será um ponto importante na trajetória das lutas globais por justiça social e ambiental que estamos construindo desde a Rio-92, particularmente a partir de Seattle, FSM, Cochabamba, onde se têm catapultado as lutas contra a OMC e a ALCA, pela justiça climática e contra o G-20. Incluímos também as mobilizações de massa como Occupy, indignados, a luta dos estudantes do Chile e de outros países e a primavera árabe.
Convocamos todos para que participem da mobilização global de 5 de junho (Dia Mundial do Ambiente); da mobilização do dia 18 de junho, contra o G20 (que desta vez se concentrará no “crescimento verde”) e na marcha da Cúpula dos Povos, no dia 20 junho, no Rio de Janeiro e no mundo, por justiça social e ambiental, contra a “economia verde”, a mercantilização da vida e da natureza e em defesa dos bens comuns e dos direitos dos povos.

Rio de Janeiro, 12 de maio de 2012

Assinam:
Grupo de Articulação Nacional e Internacional da Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental

Consulta Popular 2012/1013

Lotamos a  Câmara de Vereadores, na última sexta-feira (25), para fazer propostas no orçamento estadual para 2013.  Na Assembleia Regional da Participação Popular e Cidadã (Consulta Popular) foi apresentado sete demandas municipais.

A mobilização da população foi muito importante pois, a cada 30 presentes, Esteio teve direito a escolher um delegado para representar e defender os interesses da cidade na assembleia regional. Com o total de 394 participantes, Esteio terá 13 delegados na assembleia regional.

No dia 4 de julho, será realizada a votação das prioridades em todo o Rio Grande do Sul, por voto presencial ou via Internet. Cada cidadão poderá escolher até quatro temas que considere importante entrar no orçamento do ano que vem. Em 2011, 4.962 esteienses participaram da escolha, conquistando cerca de R$ 1 milhão em investimentos estaduais para o Município. A meta de Esteio é conseguir 10 mil votos este ano.

 

Confira as 7 demandas municipais escolhidas pel@s esteienses

1 – Saúde: Reforma Posto 3 do São Camilo 2 – Segurança: Brigada Militar – Aquisição de cinco novas motos 3 – Segurança: Bombeiros – Aquisição de veículos para combate a incêndio e resgate 4 – Educação: EEEM Bernardo Vieira – Laboratório Multifuncional e EEEM Augusto Meyer – Laboratório de Matemática financeira e estatística 5 – Cidadania:  politicas para as mulheres,Promoção de capacitação profissional para o mundo do trabalho 6 – Cidadania: Municipalização do Procon 7 – Esporte: Realizar competições e eventos de inclusão social Demanda regional: Desenvolvimento econômico

Núcleo de Esteio participa Pate Papo Feminismo na Rio +20

Relato bate-papo Feminismo na Rio+20: Mulheres em luta contra o Capitalismo Verde

Bate-Papo Feminismo na Rio+20: Mulheres em luta contra o Capitalismo Verde
A atividade tratou de contextualizar o que é a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – Rio+20 – para tanto problematizando seus objetivos e temáticas em discussão: 1) Economia Verde no contexto da erradicação da pobreza; 2) Estrutura de governança para o desenvolvimento sustentável no âmbito das Nações Unidas.
Foram apresentados os principais pontos do documento de Contribuição Brasileira `a Conferência Rio+20, mas destacando o ponto “O empoderamento das mulheres”, no qual afirma: Gênero e empoderamento das mulheres
“•  Relatório da ONU demonstra que a persistênciadas desigualdades entre gêneros é o maior entrave ao desenvolvimento humano nos países. Essa desigualdade, segundo a ONU, chega a provocar perdas de até 85% no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e apresenta diferenças entre o meio rural e urbano.
•  As mulheres desempenham, entretanto, papel central para o êxito das políticas de desenvolvimento sustentável, especialmente na promoção de padrões de produção e consumo sustentáveis. Responsáveis pela maior parte das decisões de compra e investimento das famílias, as mulheres devem ser o foco prioritário de políticas de educação e conscientização para o desenvolvimento sustentável.
•  A perspectiva de gênero e as medidas para a promoção da participação da mulher em posições de poder devem ser consideradas de forma transversal no desenvolvimento sustentável, perpassando o conjunto das políticas públicas nacionais e iniciativas internacionais. A importância do recorte do gênero para o desenvolvimento sustentável deve ser reconhecida tanto nos espaços urbanos quanto nos rurais, bem como na administração pública e nas atividades produtivas.”
Diante do material de contribuição brasileira, fez-se críticas ao restante do conteúdo, uma vez que ignorou questões como Belo Monte, mudanças do Código Florestal, Reforma Agrária, uso indiscriminado de agrotóxicos. Além de apresentar referências a um crescimento ilimitados, com incentivo ao consumo e ao crescimento econômico.
Também houve uma discussão crítica acerca do Draft Zero (Rascunho Zero) da Rio+20, que se intitula “ O futuro que queremos”(quem queremos?), no qual propõe 10 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, sendo que um deles é “Gênero e empoderamento das mulheres”. Destaca-se em tal ponto: A igualdade de gênero
1. Reconhecemos que o desenvolvimento sustentável está ligado e depende das contribuições econômicas das mulheres, tanto formal como informal. Observamos com preocupação que persistentes desigualdades sociais e econômicas, continuam a afetar as mulheres e crianças, que compõem a maioria das pessoas que vivem na pobreza.
2. Fazemos um apelo para remover as barreiras que têm impedido as mulheres de serem participantes plenas da economia e desbloquear o seu potencial como motores do desenvolvimento sustentável e priorizar medidas para promover a igualdade de gênero em todas as esferas de nossas sociedades, incluindo a educação, emprego, propriedade dos recursos , acesso à justiça, representaçãopolítica, institucional de tomada de decisão, dando assistência a administração do lar e da comunidade.
3. Apoiamos o trabalho das Mulheres das NaçõesUnidas para alcançar a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres em todos os aspectos da vida e trazendo uma maior atenção para as ligações entre a igualdade de gênero e a promoção do desenvolvimento sustentável.”
Quanto ao processo oficial fez-se críticas aos formato do “Major Groups” no qual envolve a sociedade civil (mulheres, jovens, indígenas…) incluindo o setor industrial/empresarial. Tal situação inclui com desigualdade, uma vez que o poder econômico tem maior capacidade de articulação e interferências nos processos oficiais da ONU e dentro das delegações nacionais.
Também criticou-se a visão utilitarista sobre as mulheres, como protagonistas do desenvolvimento sustentável, uma vez que parece retirar a responsabilidade compartilhada de homens e mulheres frente a tal processo, remetendo as mulheres tal tarefa. As responsabilidades são comuns, porém diferenciadas.
Além disso, abordamos, de forma crítica a proposta de Economia Verde, uma vez que trata de um processo de reciclagem do Capital especulativo e degradador ambiental, uma vez que busca traçar um plano de negócios visando financeirizar e mercantilizar a natureza. Processo que apresenta uma série da falas soluções (ex: geo-engenharia, pagamento serviços ambientais). Além disso é na escassez que o sistema capitalista acumula e extrai mais, assim num ambiente de escassez ganha-se mais, logo se tiver água em abundância não tem porque cobrá-la, mas num ambiente de escassez…Assim o sistema mantem a mesma lógica de dominação da natureza, buscando soluções dentro do sistema que ajudou a criar e agravar os problemas.
Diante de tais problemáticas falou-se sobre a Cúpula dos Povos, espaço paralelo a Rio+20, promovido pela/para a sociedade civil para ser o contraponto ao processo oficial.
A Cúpula é um amplo espaço construído desde a sociedade civil global para propor uma nova forma de vida no planeta em solidariedade, contra a mercantilização da natureza e em defesa dos bens comuns.
Dentro da Cúpula, junto a outros movimentos sociais que compartilham a visão anti-capitalista, anti-patriarcal e anti-racista, a MMM, estará colocando ênfase na Assembleia Permanente dos Povos (APP), que será espaço onde, através dos depoimentos e análises, dos intercâmbios e da solidariedade, da mobilização e das ações concretas, teremos o desafio de fortalecer as lutas presentes e convocar a novas ações e iniciativas, geradoras de novas plataformas de unidade. A APP se organizará ao redor de três eixos:
As causas estruturais da atual crise de civilização, a partir de exemplos concretos como das crises energética, financeira, alimentar e ambiental, e denúncia das falsas soluções apresentadas pelo mercado.
-A reafirmação das práticas de resistência, os novos paradigmas e alternativas construídas pelos povos;
-A agenda política de lutas para o próximo período.
Um grupo de trabalho de Metodologia está discutindo a melhor forma de organizar este processo de convergências para a Assembléia dos Povos, para visibilizar e fazer valer nossos novos paradigmas.
Durante a Cúpula dos Povos, planejamos ter os seguintes espaços:
1. Alojamento da MMM para 1.000 mulheres: este será um espaço de alojamento, organização e intercâmbio, para MMM nacional e de outros países. Nós do RS temos uma tarefa de organizar um ônibus de mulheres.
2. Participação nos espaços da Cúpula: organizamos nossas atividades de forma a potencializar a construção das plenárias de convergências e da assembleia dos povos, garantindo que a perspectiva feminista seja parte destes processos.
3. Mobilizações: Com os movimentos sociais aliados, planejamos ter muita ação nas ruas durante os dias da Cúpula. Estamos em processo de trabalho para visibilizar a agenda feminista nessas mobilizações.
No dia 18 de junho, faremos uma mobilização das mulheres, organizada com o conjunto de movimentos de mulheres do Brasil e com mulheres de movimentos mistos aliados à MMM. Nesta mobilização, queremos expressar um forte posicionamento feminista contra o capitalismo verde.
Além disso, no durante a Rio + 20 prepara-se para o20 de Junho uma mobilização com forte presença nacional e internacional.
5 de Junho: dia de mobilização internacional
Nacionalmente está sendo construída propostas de ação e também localmente, na última assembleia dos Movimentos Sociais para a Cúpula dos Povos tirou-se como indicativo organizar uma intervenção de forma coletiva.
Também em Porto Alegre, anualmente a MMM-RS envolve-se na Festa da Biodiversidade, que em 2012 ocorrerá no dia 24/05 no Largo Glênio Peres. Tal dia será também de mobilização e articulação local.

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