Dia a Dia da Cúpula dos Povos na Rio +20

 

A delegação gaucha da Marcha Mundial das Mulheres partiram rumo ao Rio de Janeiro para a Cúpula dos Povos na Rio +20 no dia 15/06 pela manhã.

Após 24hs de viagem, com breves parada para refeições e muito debates, chegamos ……

Sambodromo do Rio de Janeiro, foi lá que as militantes da Marcha ficaram  alojadas com diversos movimentos, Via Campesina, MST, Quilombolas, Indigenas…

Nos dias 16 e 17 acompanhamos os debates simultaneos que aconteceram  no aterro do flamengo.

FEMINISMO, AGROECOLOGIA E SOBERANIA ALIMENTAR

Compreender que o trabalho que as mulheres realizam é algo central na vida em sociedade e não apenas “ajuda”, “apoio” ou algo “complementar” é fundamental na construção de uma alternativa ao modelo de desenvolvimento capitalista, patriarcal y racista, expresso hoje na chamada economia verde. Esse foi um dos pontos de destaque durante a atividade “Feminismo, agroecologia e soberania alimentar: construindo um novo paradigma de sustentabilidade para a vida humana”, realizada no dia 16, em conjunto pela Marcha Mundial das Mulheres (MMM), Via Campesina (VC), GT de Mulheres da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), mulheres da Coordenação Andina de Organizações Indígenas (CAOI), Contag, Rede de Economia Feminista (REF), Movimento de Trabalhadoras Rurais do Nordeste (MMTR-NE) e Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar (FBSSAN).

Sob o slogan “Mulheres contra a mercantilização de nossos corpos, nossas vidas e a natureza!”, mais de 10 mil pessoas marcharam na manhã de segunda-feira, 18 de junho entre o Aterro do Flamengo e o Largo da Carioca. A mobilização foi organizada pela Marcha Mundial das Mulheres (MMM), mulheres de movimentos mistos como a Via Camponesa, a Contag, a CAOI, a ANA, a CUT e outras organizações e movimentos feministas e inaugurou a jornada de mobilizações da Cúpula.

O dia começou muito cedo, às 7 horas, quando mais de 2.000 mulheres dos movimentos sociais que estão alojados no Sambódromo do Rio de Janeiro saíram em marcha até o MAM – Museu de Arte Moderno, no Aterro do Flamengo. No caminho, estimuladas pela Batucada Feminista da Marcha Mundial das Mulheres, elas denunciaram a economia verde, às corporações multinacionais e às instituições multilaterais como o Banco Mundial e o FMI, responsáveis pela crise mundial que vivenciamos hoje e pelo incremento da violência e a pobreza entre as mulheres.

No MAM, militantes de outros movimentos feministas de América Latina e do mundo que estavam na inauguração da tenda “Território Global das Mulheres” se somaram às demais e partiram em direção ao Largo da Carioca onde aconteceu um ato público final da manifestação de denúncia do modelo capitalista, patriarcal, homofóbico, racista e destruidor da natureza.
“Temos que superar esse modelo, mas para isso temos que superar a divisão sexual do trabalho, que não reconhece nosso trabalho como trabalho, que diz que temos que fazê-lo por amor ou pela culpa que carregamos. Estamos exigindo o reconhecimento do trabalho das mulheres, que a divisão sexual do trabalho deixe de existir também no trabalho produtivo”, enfatizou Nalu Faria, da MMM.

A questão não é somente de sustentabilidade ambiental e sim da construção de outro modelo de produção e consumo que garanta condições de igualdade. “Para conseguir isso temos que estar livres de todas as formas de opressão, pensar não só em harmonia com a natureza, mas também na harmonia entre humanos e humanas. Isso significa erradicar a violência, que os homens deixem de estar a serviço do capitalismo, deixem de nos violentar e assediar. Significa ter o livre exercício de nossa sexualidade, o direito ao aborto. Por isso vamos seguir em luta enquanto não tivermos construído todas as transformações necessárias, fortalecer nossa luta contra o capitalismo verde e exigir que nossas demandas sejam reconhecidas inclusive por nossos companheiros de luta!”, afirmou Nalu.

” O abre alas que as mulheres vão passar, nosso lugar não é no forno ou no fogão, a nossa chama é o fogo da revolução”!!!!

Paralelo, a Marcha Mundial das Mulheres realizou uma ação de resistência, denominada Rosa Luxemburgo, em frente ao Banco Nacional do Desenvolvimento, o BNDES, na sede do Rio de Janeiro.

A ação consistiu em uma batucada feminista e colagem de lambe lambe que dialogavam com a justiça social e ambiental e com a exploração e mercantilização da vida e do corpo das mulheres. Contou com a participação de 40 militantes da MMM, o ato conseguiu “mostrar que nós mulheres não aceitamos esse modelo econômico que transforma em mercadoria nossos corpos, nossas vidas e também a natureza. Estamos organizadas e em constante luta”.

Ainda durante a ação, indígenas de diversas etnias do Brasil, ocuparam o espaço do BNDES. Eles exigiram se reunir com algum representante do banco. Em solidariedade e reafirmando que são nas lutas coletivas que existe a possibilidade de conquistas, as militantes da MMM mantiveram-se no BNDES batucando e chamando palavras de ordem como “Ó Belo Monte tem que parar a sociedade não vai mais aguentar”.


Dia 19/06

 

No final da tarde do dia 19 os movimentos socais participantes da Cúpula dos Povos realizaram um ato contra a transnacional Vale, em frente à sede da empresa, entre as ruas Santa Luzia e Graça Aranha, no Rio de Janeiro.
Participaram do ato por volta de 3 mil pessoas dos movimentos sociais da Via Campesina, Marcha Mundial das Mulheres, entre outros. A ação foi coordenada pela Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale. A Vale foi escolhida como alvo simbólico para representar as grandes corporações internacionais, cujas práticas desrespeitam os trabalhadores, degradam o meio ambiente e roubam dos povos o controle sobre seus territórios.
“A Vale usa a mesma estratégia em todos os países do mundo. Em Moçambique, são 1365 famílias sofrendo repressão desde 2004; a Vale viola os direitos dos trabalhadores, não dando condições de segurança e higiene e já controla todo o território centro-norte de Moçambique, através da

construção de uma linha férrea”, denunciou Jeremias Vunjanhe, militante da ONG Justiça Ambiental, que havia sido impedido de entrar no Brasil na semana passada.
Além dos problemas sociais, os manifestantes focaram os impactos ambientais da empresa. “Estamos aqui, também, com um relatório de insustentabilidade, fruto de um ano de pesquisa e trabalho de aprofundamento, para desmontar as declarações que a própria empresa faz no relatório de sustentabilidade dela”, afirmou o padre Dário Bossi, da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Bossi citou como exemplos desse impacto a construção da usina siderúrgica TKCSA, cuja poluição foi demonstrada por estudos, e que está sob intervenção do Ministério Público, e a duplicação da ferrovia de Carajás, no norte do país, que ameaça dobrar os impactos já existentes da mineração na Amazônia.
Scott, do sindicato USW (United Steelworkers), do Canadá, denunciou as péssimas condições enfrentadas pelos trabalhadores da Vale em seu país. A empresa provocou a maior greve da história do Canadá, que durou 11 meses entre 2009 e 2010, porque usou a recente crise mundial como justificativa para realizar demissões em massa, diminuir salários e aumentar jornadas, entre outros retrocessos nos direitos dos trabalhadores. “Isso é uma vergonha”, afirmou. Naquele país, só nesse ano já foram contabilizadas 16 mortes de trabalhadores em operações da Vale.
Adelaide, do Movimento Xingu Vivo para Sempre, relatou o processo de privatização da Amazônia impulsionada pela construção da usina de Belo Monte, cujo consórcio construtor conta com a presença da Vale. Larissa, da Marcha Mundial das Mulheres, denunciou como as obras de empresas como a Vale afetam em especial as mulheres, com o aumento da prostituição e da violência. Moisés, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), denunciou o processo de criminalização do povo que luta contra as grandes empresas.

Enquanto chefes de estado se reúnem no Riocentro, manifestações pela cidade marcaram o dia de abertura das negociações da Rio+20, organizadas pela sociedade civil.

Pela manhã, cerca de duas mil pessoas se reuniram na Vila Autódromo, favela a cerca de 800 metros do centro de convenções que sedia a Conferência da ONU para o Desenvolvimento Sustentável.


O apoio aos moradores da Vila Autódromo reuniu defensores da comunidade, ameaçada de remoção pelas obras da Olimpíada de 2016, e manifestantes de movimentos indígenas, sem terra, quilombolas e pastoral de favelas, entre outros. A batucada da Marcha Mundial das Mulheres foi irreverente na caminhada pelas ruas da comunidade autodromo.

O maior ato aconteceu   a tarde desta quarta-feira, quando a Marcha dos Povos ocorre no Centro do Rio.  A manifest

ação é convocada pela Cúpula dos Povos, evento da sociedade civil que faz um contraponto às negociações oficiais no Riocentro. Estavam presente militantes da MMM internacional.

No dia 21 assembléia geral para apresentação da sintese final das plenarias tematicas, finalização do documento final da cúpula dos povos.

 

 

 

 

 

 

 

Esteio na Cúpula dos Povos: Contra o capitalismo Verde!

Coletivo Vânia Araújo núcleo da Marcha Mundial das Mulheres- Esteio na Cúpula dos Povos: Contra o capitalismo Verde!

Está Iniciando a Cúpula dos Povos, no Rio de Janeiro. Este espaço está sendo construindo como parte da luta contra a mercantilização da vida e da natureza e em defesa dos bens comuns. Para enfrentar os desafios dessa crise sistêmica, a Cúpula dos Povos não será apenas um grande evento. Trata-se de um processo de acúmulos históricos e convergências das lutas locais, regionais e globais, que tem como marco político a luta anticapitalista, classista, antirracista, antipatriarcal e anti-homofóbica. As militantes feministas da Marcha Mundial das Mulheres Janaina Santos (coordenadora Estadual da Marcha, Presidente do Conselho da Mulher e coordenadora municipal do Coletivo Vânia) e Sandra Correa,  embarcam rumo ao Rio de Janeiro nesta sexta-feira, lá estarão representando o movimento de mulheres de Esteio. As esteienses ficarão acampadas no sambódromo junto as militantes feminista do Brasil e de outros países, estarão na cúpula dos povos, durante sete dias irão participar de várias mobilizações: Mobilizações: Dia 18, segunda-feira, é o dia da mobilização das mulheres na Cúpula dos Povos. Sairemos todas juntas do sambódromo, até a concentração da manifestação, às 10h no MAM. Dia 20 é o dia mundial de mobilização. Na parte da manhã faremos um ato de solidariedade à vila autódromo, afetada pelos megaeventos e próxima ao Rio Centro, onde acontece a Conferencia da ONU, a Rio+20. A partir das 15h, uma grande marcha será realizada nas ruas do Rio de Janeiro. Entre essas manifestações massivas, faremos intervenções feministas na cidade, denunciando a mercantilização do corpo e da vida das mulheres que é parte da ofensiva do capital sobre nossos territórios. Durante as Atividades estaremos publicando mais informações no blog:

www.Grupovaniaaraujo.wordpress.com

facebook: coletivo Vânia Araújo

Mulheres em luta contra o Capitalismo Verde

No dia 05 de Junho, Dia Internacional do Meio Ambiente organizamos ação da cúpula dos Povos na Escola Eva Karnal – Esteio

A poucos  dias da conferência das Nações Unidas Rio+20, os povos do mundo não veem resultados positivos no processo de negociação que está ocorrendo na conferência oficial. Ali não se está discutindo um balanço do cumprimento dos acordos alcançados na Rio 92, ou como mudar as causas da crise. O foco da discussão é um pacote de propostas enganosamente chamado de “economia verde” e a instauração de um novo sistema de governo ambiental internacional que o facilite.

A verdadeira causa estrutural das múltiplas crises é o capitalismo, com suas formas clássicas e renovadas de dominação, que concentra a riqueza e produz desigualdades sociais, desemprego, violência contra o povo e a criminalização de quem os denuncia. O sistema de produção e o consumo atual – representados por grandes corporações, mercados financeiros e os governos que garantem sua manutenção – produzem e aprofundam o aquecimento global e a crise climática, a fome e a desnutrição, a perda de florestas e da diversidade biológica e sócio-cultural, a contaminação química, a escassez de água potável, a desertificação crescente dos solos, a acidificação dos mares, a grilagem de terras e a mercantilização de todos os aspectos da vida nas cidades e no campo .
A “economia verde”, ao contrário do que o seu nome sugere, é outra fase da acumulação capitalista. Nada na “economia verde” questiona ou substitui a economia baseada no extrativismo de combustíveis fósseis, nem os seus padrões de consumo e produção industrial. Essa economia estende a economia exploradora das pessoas e do ambiente para novas áreas, alimentando assim o mito de que é possível o crescimento econômico infinito.
O falido modelo econômico, agora disfarçado de verde, pretende submeter todos os ciclos vitais da natureza às regras do mercado e ao domínio da tecnologia, da privatização e da mercantilização da natureza e suas funções. Assim como dos conhecimentos tradicionais, aumentando os mercados financeiros especulativos através dos mercados de carbono, de serviços ambientais, de compensações por biodiversidade e o mecanismo REDD+ (Redução de emissões por desmatamento evitado e degradação florestal).
Os transgênicos, os agrotóxicos, a tecnologia Terminator, os agrocombustíveis, a nanotecnologia, a biologia sintética, a vida artificial, a geo-engenharia e a energia nuclear, entre outros, são apresentados como “soluções tecnológicas” para os limites naturais do planeta e para as múltiplas crises, sem abordar as causas verdadeiras que as provocam.
Além disso, se promove a expansão do sistema alimentício agroindustrial, um dos maiores fatores causadores das crises climáticas, ambientais, econômicas e sociais, aprofundando a especulação com os alimentos. Com isso se favorece os interesses das corporações do agronegócio em detrimento da produção local, campesina, familiar, dos povos indígenas e das populações tradicionais, afetando a saúde de todos.
Como uma estratégia de negociação na conferência Rio+20, alguns governos de países ricos estão propondo um retrocesso dos princípios da Rio 92, como o princípio de responsabilidades comuns e diferenciadas, o princípio da precaução, o direito à informação e participação. Estão ameaçados direitos já consolidados, como os dos povos indígenas e populações tradicionais, dos camponeses, o direito humano à água, os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, dos imigrantes, o direito à alimentação, à habitação, à cidade, os direitos da juventude e das mulheres, o direito à saúde sexual e reprodutiva, à educação e também os direitos culturais.
Está se tentando instalar os chamados Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que serão utilizados para promover a “economia verde”, enfraquecendo ainda mais os já insuficientes Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).
O processo oficial propõe estabelecer formas de governança ambiental mundial que sirvam como administradores e facilitadores desta “economia verde”, com o protagonismo do Banco Mundial e outras instituições financeiras públicas ou privadas, nacionais e internacionais, que irão incentivar um novo ciclo de endividamento e ajustes estruturais disfarçados de verde. Não pode existir governança global democrática sem terminar com a atual captura corporativa das Nações Unidas.

Repudiamos este processo e conclamamos todos para que venham fortalecer as manifestações e construções de alternativas em todo o mundo.

Lutamos por uma mudança radical no atual modelo de produção e consumo, consolidando o nosso direito para nos desenvolvermos com modelos alternativos com base nas múltiplas realidades e vivências dos povos, genuinamente democráticas, respeitando os direitos humanos e coletivos, em harmonia com a natureza e com a justiça social e ambiental.
Afirmamos a construção coletiva de novos paradigmas baseados na soberania alimentar, na agroecologia e na economia solidária, na defesa da vida e dos bens comuns, na afirmação de todos os direitos ameaçados, o direito à terra e ao território, o direito à cidade, os direitos da natureza e das futuras gerações e a eliminação de toda forma de colonialismo e imperialismo.
Conclamamos todos os povos do mundo a apoiarem a luta do povo brasileiro contra a destruição de um dos mais importantes quadros legais de proteção às florestas (Código Florestal), o que abre caminhos para mais desmatamentos em favor dos interesses do agronegócio e da ampliação da monocultura; e contra a implementação do mega projeto hidráulico de Belo Monte, que afeta a sobrevivência e as formas de vida dos povos da selva e a biodiversidade amazônica.
Reiteramos o convite para participação na Cúpula dos Povos que se realizará de 15 a 23 de junho no Rio de Janeiro. Será um ponto importante na trajetória das lutas globais por justiça social e ambiental que estamos construindo desde a Rio-92, particularmente a partir de Seattle, FSM, Cochabamba, onde se têm catapultado as lutas contra a OMC e a ALCA, pela justiça climática e contra o G-20. Incluímos também as mobilizações de massa como Occupy, indignados, a luta dos estudantes do Chile e de outros países e a primavera árabe.
Convocamos todos para que participem da mobilização global de 5 de junho (Dia Mundial do Ambiente); da mobilização do dia 18 de junho, contra o G20 (que desta vez se concentrará no “crescimento verde”) e na marcha da Cúpula dos Povos, no dia 20 junho, no Rio de Janeiro e no mundo, por justiça social e ambiental, contra a “economia verde”, a mercantilização da vida e da natureza e em defesa dos bens comuns e dos direitos dos povos.

Rio de Janeiro, 12 de maio de 2012

Assinam:
Grupo de Articulação Nacional e Internacional da Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental