29/08 dia da Visibilidade Lésbica

Fragmentos de uma reflexão sobre a visibilidade lésbica 29/08/2011

 por Tica Moreno

Filho: Mamãe, menina pode namorar menina? Mãe: Pode, filho. Filho: Então menino pode namorar menino também? Mãe: Pode, filho. Filho: E menino e menina também pode né, mãe? Mãe: Pode sim. Filho (em tom conclusivo): Nossa…Que legal! (E foi brincar).

Esse diálogo entre a Ana e seu filho pequeno, que ela postou no face, deveria ser o diálogo em todas as casas, em todas as TV’s, em todos os blogs, em todas as igrejas que querem falar sobre relações humanas – envolvendo amor e sexo. *** Esse post é parte da blogagem coletiva sobre a visibilidade lésbica, convocada pelas Blogueiras Feministas. Dar visibilidade é tornar algo visível. Algo que antes, por alguns motivos, não era visível. A crítica feminista ao que nos contam do que é a história oficial é um bom exemplo de crítica à invisibilidade: nós aprendemos na escola o nome de vários homens que fizeram revoluções e lutaram pela independência de seus povos – Robespierre, Lenin, Simón Bolivar, Zumbi – mas não costumam nos ensinar sobre as mulheres que lutaram nestes mesmos processos – Olympe de Gouges, Alexandra Kollontai, Manuela Saenz, Dandara. Não ser visível na história é como não ser um sujeito na história. E de várias maneiras o mundo vai naturalizando algumas práticas sociais como se fossem o “normal”. O que foge a regra é considerado meio esquisito. As meninas e os meninos vão aprendendo que aquele espaço público, da política, das transformações, das ações, são espaços para os homens, que é mais natural que os meninos queiram estar lá. Pras meninas, outras atividades são apresentadas como destino natural (não menos importantes, mas socialmente menos valorizadas). Tem motivos pra algumas coisas serem ocultadas nesse nosso mundo organizado em torno de opressões e desigualdades: é pra manter as coisas exatamente como estão. Ou seja, pra manter as relações de poder que privilegiam os homens, brancos e heterossexuais no nosso mundo. *** Ocultar faz com que a gente ache que não é possível ser de outro jeito. No caso, o ocultamento e a invisibilidade das mulheres lésbicas estão presentes em várias partes da nossa vida social, cultural, política. Os meninos e as meninas aprendem a querer ser o que tem de modelo por aí. E o modelo de casal, de amor e de sexo, é um modelo heterossexual. Por exemplo, no cinema. Se eu tivesse que fazer uma lista de filmes que tem uma historinha de amor e o casal é hétero, praticamente todos os romances ou comédia romântica ou drama ou suspense ou terror que eu já vi se encaixariam nessa lista. Se eu tivesse que fazer uma lista de filmes que tem casal homossexual, especificamente um casal lésbico, a tarefa ficaria muito mais difícil – porque eu não estou incluindo aqui os filmes pornôs dirigidos aos homens. E se a lista só incluísse filmes em que o casal homossexual não é estereotipado, ficaria mais difícil ainda. De novo: dar visibilidade é tornar algo visível. Apresentar pro mundo como uma realidade vivida, como uma possibilidade a ser vivida, com liberdade. Sem ser esquisito, sem ser alvo de estranhamento e discriminações, que geram rechaço e violência. *** Vocês conhecem a história do Relatório Kinsey? Ele foi um cara pioneiro em investigar a sexualidade humana. Seu primeiro trabalho, que descrevia como os homens estavam vivenciando a sexualidade, bombou. Mas aí o segundo foi super controverso e polêmico, porque foi sobre a sexualidade das mulheres. Imaginem: no começo dos anos 1950, a pesquisa dele demonstrou que 13% das mulheres afirmaram já ter tido um orgasmo em uma relação sexual com outra mulher. Daí ele foi questionado, meio perseguido e tal. No filme, a companheira dele, ou ele, falou o que explica o tamanho da controvérsia e as consequências do relatório sobre a sexualidade das mulheres. Era algo do tipo: “Que reação você esperava depois de mostrar que as mães e avós das pessoas fazem sexo com outras mulheres?”. Mexeu com a “família”, levantou todo o conservadorismo reacionário (Olha! Rima com Bolsonaro!) *** Hoje é dia da visibilidade lésbica. É mais um dia de luta por liberdade, além do dia do orgulho LGBT. Porque esse mundo além de hétero-normativo, também é machista. Então, é importante afirmar a visibilidade lésbica, e não basta falar só sobre os gays, homens homossexuais. Afirmar o direito de ser lésbica é parte do questionamento ao que é a visão machista da sexualidade feminina que – pra muitos homens (desde os bolsonaros até os da esquerda) e, infelizmente, pra muitas mulheres – deve servir para a reprodução, ser passiva, destinada para o prazer dos homens .

 Hoje é mais um dia de luta por liberdade, em que reafirmamos: Basta de lesbofobia! Basta de violência e de ameaças de violência, utilizadas como ferramentas de controle das nossas sexualidades

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Frente Nacional contra a Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto realiza plenária em Brasília

No dia 18 de agosto, a Frente Nacional contra a Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto realiza sua plenária, em Brasília. A atividade aproveitará a presença das mulheres na cidade para a Marcha das Margaridas, que acontece nos dias 16 e 17.

No Brasil, são realizados cerca de um milhão de abortos por ano. Muitas mulheres, principalmente as mais pobres, são vítimas de procedimentos inseguros, que têm inúmeras consequências negativas para suas vidas. Segundo o Ministério da Saúde, a prática do aborto inseguro é a terceira causa de morte materna no país.

A Plenária acontece das 9h às 16h, no auditório Petrônio Portela, no Senado Federal.

Nenhuma mulher deve ser presa, maltratada ou humilhada por ter feito

 

Marchantes Rumo ao Congresso Nacional

E e manhã de quarta-feira começa em Marcha com milhares de mulheres nas ruas de Brasilia.

 

Brasilia está florida, são as gauchas na Marcha das Margaridas

Mais de 10 mil mulheres já chegaram a Cidade das Margaridas e não param de chegar. A expectativa é que mais de 70 mil mulheres cheguem e tragam sua plataforma de lutas.

A delegação gaúcha está fazendo bonito!

 

Aconteceu a abertura política e agora estamos nas oficinas.

Fatima Guedes e Claudia Prates, pela Marcha Mundial das Mulheres, na oficina 6 educação não sexista, sexualidade e violência – faz uma retrospecctiva histórica da opressão sexista que as mulheres serão vitimas – explicando que esta construção social, passa de filha pra filha. Citando Saramago, resgata sua critica a interferencia religiosa. Que as mulheres tem que ser “virtuosas” para ter valor.

Na oficina contamos com a participação de mais de 200 mulheres de diversas partes do País.

todas já passaram ou conhecem alguma situação de violência e que o trauma da violência permanece pela vida toda.

 

Delegação de Esteio rumo a Marcha das Margaridas

Hoje as 14 hs  dez mulheres do Coletivo F. Vânia Araujo- núcleo da Marcha Mundial das Mulheres -Esteio se concentraram em frente a escola municipal Eva Karnal para seguir rumo a Marcha das Margaridas, ali deram entrevista por telefone a radio local tradição FM88.3, que trasmitiu ao vivo todos os relatos das marchantes. (Nome da delegação: Suely Conto, Flavia Alexandra, Eleniezer Machado, Elaise Tavares, Cristiane Gomes, Maria Jurema, Lenir dos Santos, Suzi Tatsch, Maria Rosane).

 

Representando o poder Legislativo da cidade o Vereador Leo Dahmer acompanhou a delegação até a hora do embarque.

Em seguida o deslocamento foi até  Porto Alegre ao encontro das demais companheiras da MMM de outras cidades e do movimento sindical (CUT).  

logo partiram rumo a Brasilia.

Comissão Organizadora

Janaina Santos- Coletivo Vânia Araujo- núcleo da MMM- Esteio

Segue a programação em Brasilia.

DIA 16/AGOSTO/2011
§ Madrugada-Chegada e acolhimento das delegações
§ 5h30-Café da manhã

MANHÃ – a partir das 9h
§ Inauguração da Mostra Nacional da produção das Margaridas
§ Painéis de debates:
1 – Desenvolvimento Sustentável – com foco nos eixos I, II, II
2 – Desenvolvimento Sustentável – com foco nos eixos IV, V, VI, VII

§ Lançamento da Campanha contra os agrotóxicos
§ Lançamento do PL de Iniciativa Popular para Reforma Política
§ Atividades culturais
§ Sessão Solene no Congresso Nacional
§ Ato no Congresso Nacional
§ Exposição Fotográfica – Mulheres Trabalhadoras na Marcha das Margaridas – Trajetória de lutas – Hall da Taquigrafia – Congresso Nacional
12h30- Almoço

ABERTURA POLÍTICA DA MARCHA DAS MARGARIDAS 2011
§ Lançamento do CD ‘Canto das Margaridas’
§ noite-Jantar
§ Show Margareth Menezes

DIA 17/AGOSTO/2011
§ 5h-Café da manhã
§ 7h-Saída da Cidade das Margaridas para a Esplanada dos Ministérios
§ 10h-Ato na Esplanada, em frente ao Congresso Nacional.
§ 12h30-Almoço
§ 15h-Ato de encerramento com a presença da Presidenta Dilma, no Parque da Cidade.
§ 17h-Retorno das delegações aos estados